A PORSCHE nos ralies portugueses
Ao longo dos anos inúmeros foram os pilotos que escolheram veículos da marca Porsche para participar nos ralis disputados em Portugal, nas décadas de 70 e 80. Apresentamos aqui uma breve resenha do que foram algumas das participações desse restrito clube que teve em Américo Nunes o seu mais assíduo representante, mas que contou também com nomes tão importantes como Joaquim Moutinho, Mário Silva, José Avelino Gonçalves, Domingos Santos, André Martinho, Giovanni Salvi, António Diégues ou António Borges.  A partir de 1986, importantes mudanças nos regulamentos das provas de estrada impediriam a participação de carros ditos de Grande Turismo nos principais campeonatos de ralis, afastando estes carros das classificativas que tão bem se adaptavam às suas características. .
 
Rali dos Montes Alentejanos 1971 (provavelmente): Albio Pinto, no preciso momento em que partia a protecção e o carter do motor do Porsche 911 vermelho, numa rocha semi-enterrada. As pessoas que se vêm à esquerda eram da organização e corriam para o carro após ouvirem a grande pancada que fez perder todo o óleo do motor do Porsche, levando-o à desistência mesmo ao pé do posto de controle.   (foto: Ricardo Grilo)
Campeonato Nacional de Ralis 1972: António Borges utilizou este 911S DG-28-39 para alcançar o título de GT no Campeonato Nacional de Ralis. O então jovem piloto conseguiu três vitórias, quatro segundos lugares e uma magnifica actuação no TAP, onde chegou a rodar em 3º, ainda com a maioria das equipas estrangeiras em prova.   (foto: Motores 72)
Rali do Algarve 1973: Américo Nunes trocou o problemático 911ST por um novo Porsche 911 Carrera RS CA-50-14 e integrado no Team VIP voltou a conhecer o sabor do triunfo, vencendo o Rali Rainha Santa e o Rali Santa Joana.  (foto: colecção Américo Nunes)
Rali Rias Bajas 1973: Miguel Correia, um participante assíduo do Campeonato Nacional de Velocidade, numa rara participação do Porsche 911S HG-39-89 (com carroçaria de Carrera RS) numa prova de estrada. Anos mais tarde o Porsche seria vendido a Miguel Oliveira e pilotado em inúmeras corridas por José Avelino Gonçalves  (foto: O Volante. Colecção Rui Queirós)

Rali do Algarve 1977: Américo Nunes, com o 911 S 2.4, CG-39-87 a caminho do segundo lugar no Campeonato Nacional de Ralis. O veterano piloto regressou da melhor maneira as competições, após as injustiças que sofreu no tempo do PREC    (fotos: Motor)
Rali James 1978: Neste ano, Mário Silva correu apenas em três provas com este 911 S 2.4 amarelo. No entanto tal foi suficiente para vencer duas (o rali James e as Camélias)  e ter sido o melhor português enquanto andou em prova, no Rali de Portugal.  (foto: Ano Auto 78)
Rali das Camélias 1978: André Martinho no Porsche Carrera RS CA-50-14 (ex-Américo Nunes e ex-António Borges) com a traseira a escorregar ligeiramente na famosa curva da água. O jovem que vê passar o Porsche branco é Pedro Carrasco que uma década mais tarde seria ele próprio piloto do Campeonato  Nacional de Ralis e actualmente é participante habitual das provas de regularidade clássicas.   (foto: Ricardo Grilo)
Rali de Portugal 1978: Miguel Oliveira ao pé do Porsche 911 HG-39-89 com que participou no rali de Portugal de 1978, com José Avelino Gonçalves. O carro tinha sido adquirido a Miguel Correia e até então tinha sido utilizado principalmente em provas de circuito.   (foto: Ricardo Grilo) 
Rali de Portugal 1979: Já com algumas alterações no carro e com o patrocínio da textil Lopes Correia, José Avelino Gonçalves chegou a rolar em segundo entre os portugueses (7º  ou 8º da geral), antes de desistir com problemas no motor "boxer" 2.8 de carburadores e mais de 250 CV preparado por Luís Dias. Embora na altura poucos se tenham apercebido do facto, esta desistência privou a Porsche de uma pontuação que já parecia certa, no Mundial de Ralis.    (foto: colecção José Avelino Gonçalves)
Rali Rias Bajas 1979: José Avelino Gonçalves com o Porsche Carrera RS HG-39-89 no Rali Rias Bajas de 1979. Note-se que o piloto preferia os ralis de asfalto aos de terra, e mesmo depois de ter abandonado as competições, não deixava de vir ao Sul só para assistir, juntamente com o filho, às classificativas de Sintra, no Rali de Portugal.   (foto: colecção José Avelino Gonçalves)
Rali James, 1980: José Avelino Gonçalves estreou do melhor modo as cores da Diabolique no Porsche Carrera RS,  pois comandandou o rali enquanto teve o carro operacional. Foi uma das mais brilhantes prestações do piloto, que conseguiu dominar uma forte concorrência nos pisos molhados das primeiras classificativas, até a bomba de gasolina deixar de colaborar...    (foto: Automundo)
Rota do Sol 1980: José Avelino Gonçalves e o Porsche Carrera RS  com as cores da Diabolique, no Rota do Sol de 1980.  Os ralis que mais entusiasmaram o piloto do Porto foram precisamente os últimos em que participou - este Rota do Sol, o James e o Rali de Orense- pois fê-los sem grandes preocupações com os resultados, tendo em vista apenas participar. Mas, isso não significava de modo algum andar em ritmo de passeio, como a foto bem o documenta... (foto: colecção José Avelino Gonçalves. Texto: M.Gonçalves/RG)
Rali de Orense 1980 (provavelmente): Rara imagem da versão final do Porsche de José Avelino Gonçalves, no Rali de Orense (provavelmente) de 1980, pouco antes de ser vendido a Joaquim Moutinho que correria com o HG-39-89 no CNR de 81. Note-se que a carroçaria já está de acordo com as especificações "911 SC" Grupo 4  (foto: colecção José Avelino Gonçalves)
Rali das Camélias 1980: Américo Nunes com o renovado 911 CG-39-87, agora com novos elementos de carroçaria e motor 2.7, alcançou um bom 5º lugar da geral, após um prolongado duelo com o Escort RS 2000 de Giovanni Salvi. (foto: Automundo)
Volta à Ilha da Madeira 1980: No entanto, para Américo Nunes, a grande corrida de 1980 foi a Volta à Ilha da Madeira, onde o veterano piloto levou o Porsche 911 (agora equipado com um motor de 3 litros) até ao terceiro lugar da geral e melhor português, logo atrás dos inalcançáveis Maurizio Verini (Alfetta GTV Turbo) e Adartico Vudafieri  (131 Abarth).  (foto: Automundo)
Durante uma boa parte da Volta à Ilha da Madeira de 1980, o grande rival de Américo Nunes foi Domingos Santos, agora com o seu Porsche 911 DL-67-67 modificado a nível de carroçaria e com um motor 2.7 de injecção. Aliás, seria precisamente uma falha na bomba injectora a causa da desistência de Santos.   (foto: Automundo)
Rali de Portugal 1981: Américo Nunes com o Porsche 911 2.7 CG-39-87 no Rali de Portugal de 1981. Uma boa prova, travada no Buçaco por dois furos consecutivos, uma roda esquecida no carro de assistência, e uma suspensão partida em consequência de rolar sobre a jante até ao final do troço.  (foto: colecção Ricardo Grilo)
Rali de Portugal 1981: Jean-Luc Thérier no Porsche 911 SC da equipa Almeras, naquela que foi a estreia da equipa de Montpellier em ralis com piso de terra. Apesar da baixa altura do carro, que não dispunha de suspensões apropriadas para o mau piso das classificativas portuguesas, estava já na 3ª posição da geral quando desistiu perto do final da prova.   (foto: Ricardo Grilo)
Rali de Portugal 1982: Em 1982 os irmãos Alméras regressaram a Portugal com outro Porsche 911 SC (3.0 "boxer" com 280 CV) entregue a Jean-Luc Thérier. Mais uma vez andaram bem e quase que conseguiam terminar a prova. No entanto, problemas de caixa e de suspensão levariam a uma nova desistência, já na 4ª etapa, quando seguiam (tal como no ano anterior) na 3ª posição da geral.   (foto:Automundo)
Rali das Camélias 1983: Américo Nunes com o 911 3.0 CG-39-87 no Rali das Camélias. Foi um dos últimos, senão mesmo o último rali do veterano piloto. Note-se que o 911 estava pintado integralmente de verde, com jantes Minilite atrás, uma útil recordação que tinha ficado do 911 ST LH-36-76 "Bomba Verde" com que Nunes tinha corrido entre 1971 e 72. Desde que regressou ao CNR, em 1977, Nunes nunca deixou de evoluir o seu 911, nomeadamente a nível de carroçaria e, principalmente, aumentando a capacidade do motor que passaria dos 2.4 lts (190 CV) originais para 2.7 (205 CV) e por fim para 3.0 lts (220 CV). Américo Nunes sempre foi apologista de ter os motores de série, afim de aumentar a fiabilidade do conjunto. (foto: Ricardo Grilo)
Rali do Algarve 1983: Afim de amealhar alguns pontos para o campeonato Belga de ralis, Patrick Snijers correu com o seu habitual Porsche 911 SC de grupo 4 (um híbrido construído por Jean Pierre Gaban, com carroçaria de Grupo 3 e mecânica de grupo 4). O único senão é que o seu 911 SC era um carro de alcatrão mal adaptado para a dureza dos troços algarvios e digeriu mal as irregularidades do terreno. Após ter comandado o rali, Snijers teria problemas e terminaria apenas no 4º posto.   (foto: Rallyes & Velocidade 84, colecção Pedro Carrasco)
Volta à Madeira 1984:  Henri Toivonen lidera a prova com o Porsche 911 SC RS da equipa de David Richards. A combinação Porsche -Toivonen era realmente tão forte como espectacular e só mesmo por azar (um pé partido numa brincadeira com um kart) o piloto finlandês não foi campeão da Europa nesse ano. Aqui na Madeira, apesar de ter sofrido um despiste (devido a ter encontrado um Taxi dentro de um troço!), de ter sofrido alguns furos e de ter partido a suspensão (o calcanhar de Aquiles dos 911 SC RS) Toivonen ainda conseguiu vencer esta prova de coeficiente máximo do Europeu.   (foto: Slick - F.Romeiras, Rallyes & Velocidade 84, colecção Pedro Carrasco)
Volta à  Madeira 1984: O principal adversário de Toivonen na prova insular foi o piloto belga Patrick Snijers, que tinha trocado o seu anterior Porsche 911 SC de Grupo 4, por este 911 SC RS de Grupo B, idêntico ao carro da Rothmans. No entanto, o  Porsche belga com as cores da Bastos e preparado por Jean Pierre Gaban apenas conseguiria o segundo lugar da geral, incapaz de acompanhar o rapidíssimo finlandês. Este 911 SC RS foi recentemente vendido em Paris por 156000€.     (foto: Slick - F.Romeiras, Rallyes & Velocidade 84, colecção Pedro Carrasco. Txt: RG/J-J Puchat)
   
 
Agradeçe-se a colaboração de Ricardo Grillo na pesquisa e criação deste histórico da PORSCHE nas competições nacionais. É objectivo da SPORTCLASSE divulgar, o mais possivel, a PORSCHE e a sua importância dentro das competições nacionais.
 
   
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